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Após várias ameaças, Comunidade Indígena Morro dos Cavalos foi alvo de atirador

A Comunidade Guarani da Terra Indígena Morro dos Cavalos, em Santa Catarina, foi alvo de ameaça com arma de fogo, na madrugada de ontem, 19/10. Segundo relato da Cacica Kerexu Uxapyry, um carro passou na rodovia atirando em direção a aldeia, “foram realizados mais de dez  disparos para o alto em frente as casas da Tekoa”, compartilhou em sua página no Facebook.

Segundo a Cacica, as tentativas de intimidação tem sido constantes desde 2012, mas estão ficando mais violentas “é quinta vez só este ano e desta vez, com arma de fogo, foi muito aterrorizante”.

Kerexu Yxapyry, é uma das lideranças das aldeias Guarani, no município de Palhoça-SC. Desde que ganhou visibilidade na luta pela demarcação da Terra Indígena Morro dos Cavalos, também virou alvo de ameaças.

Por diversas vezes, indivíduos não identificados estiveram de moto na aldeia do Morro dos Cavalos. Em uma das vezes houve um incêndio sem nenhuma explicação na caixa de luz da casa de Cacica. Em outra visita, os estranhos seguiram Kerexu nas proximidades da aldeia.

 

 “No início do ano recebi um recado de alguém que dizia que iria me pegar”, conta.  “Em maio, vieram até o meu portão e ficaram rondando a minha casa, infelizmente não consegui identificar a pessoa”, continua em seu relato.

Os Guarani também enfrentam uma intensa campanha difamatória, movida pelos meios de comunicação de massa com o intuito de colocar a população contra os indígenas.

Em 2007, a Revista Veja publicou a reportagem “Made in Paraguai”, que tratava os Guarani pejorativamente como “hermanos invasores” ou índios paraguaios, na tentativa de desqualificar o direito da comunidade ao território de ocupação tradicional.

Os ataques são rotineiros, mas muitas vezes são feitos sutilmente, pela imprensa burguesa, que coloca no pensamento da sociedade, que Paraguai é algo inferior ao Brasil, e depois refere-se aos povos Guarani, como sendo “Guarani do Paraguai”. Consideramos este termo duplamente pejorativos, primeiro por conta do contrabando, segundo por conta da negação do direito às terras indígenas”, observa.

Em 2014, o Diário Catarinense, filiado ao grupo RBS ligado à Rede Globo, publicou uma reportagem em cinco partes que repetia os mesmos preconceitos e questionava o relatório aprovado pela FUNAI que fez a identificação da terra indígena. Além disso, este mesmo jornal constantemente veicula matérias em que os Guarani aparecem como entrave ao desenvolvimento do estado, principalmente no que se refere à construção de pistas adicionais na BR-101, que corta as Terras Indígenas Morro dos Cavalos.

Essa campanha difamatória e as ameaças violentas, a aldeia e a Cacica, são orquestradas com o objetivo de intimidar e tirar os indígenas de seu território para favorecer a especulação imobiliária que tem grande interesse na região para construção de complexos hoteleiros.

A Cacica Kerexu Uxapyry, contribuiu para o enriquecimento e diversidade do Painel sobre Combate às Opressões, durante o 20º Congresso do Sindsef-SP.  A presença de uma liderança dos povos originários, ao lado de representantes do Movimento Mulheres em Luta (MML), do Quilombo, Raça e Classe, e do Setorial LGBT da CSP-Conlutas, foi um passo importante para fortalecer e ampliar a luta pela igualdade e pelo fim do preconceito.

Além disso,  possibilitou aos participantes levarem em sua bagagem informações preciosas para aprofundar o senso critico, que poderá ser usado para analisar as reportagens que chegam em seus lares  através dos meios de comunicação de massa.