Paulo Barela, membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, fez uma análise de conjuntura com foco nos desafios que serão enfrentados pelos trabalhadores frente as alianças feitas pelo atual governo do PT com empresários e políticos de diferentes espectros, impondo mais compromissos com estes setores e aumentando os desafios para os trabalhadores.
Se por um lado celebramos a eleição de Lula é fundamental manter a independência das entidades na luta pelas reivindicações da categoria. É verdade que vemos nascer um governo com pautas progressistas, que abordam direito das mulheres, questões raciais, direitos dos povos indígenas e direitos humanos, mas os orçamentos destinados a essas pastas ainda são insuficientes para promover um combate efetivos aos ataques que estes grupos sofrem.
Insuficiente também é o valor previsto para reajustar os servidores públicos, que amargam sete anos de congelamento salarial, sendo que a reivindicação de reajuste emergencial, de 26,94%, visa repor apenas as perdas dos quatro anos do governo Bolsonaro, mesmo que existam setores com perdas acumuladas superiores a 60%.
A equipe de Lula apresentou uma proposta de 7,8%, visando usar somente o recurso previsto na LOA/2022 (Lei Orçamentária Anual), enviada por Bolsonaro/Guedes. Inclusive houve uma perda de 600 mil dessa verba, que passou de 11 bi e 800 milhões para 11 bi e 200 milhões de reais.
A falta de recursos seria facilmente sanada, se fosse revisto o pagamento dos juros e amortização da dívida pública, que em 2023 já abocanhou 482 bilhões de reais. Lembrando que ainda estamos em março.
Barela apontou de onde poderiam sair os recursos para conceder o reajuste, como verbas de restos a pagar, que acumulam cerca de 60 bilhões de reais e podem ser usadas no ano de 2023.
Não falta dinheiro para garantir o reajuste emergencial e a recomposição dos benefícios sociais, mas esses recursos estão em disputa e para ter força nessa queda de braço é necessário promover mobilizações para fortalecer as entidades nas mesas de negociações para conquistar a reivindicação.
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